Desafios Linguísticos

AS PALAVRAS RESSUSCITARÃO

As palavras envelheceram dentro dos homens,

separadas em ilhas;

as palavras se mumificaram

na boca dos legisladores;

as palavras apodreceram

nas promessas dos tiranos;

as palavras nada significam

nos discursos dos homens  públicos.

 

E o Verbo de Deus é uno

mesmo com a profanação dos homens de Babel,

mesmo com a profanação dos homens de hoje.

E por acaso, a palavra imortal há de adoecer?

E, por acaso, as grandes palavras semitas

podem desaparecer?

E, por acaso, o poeta não foi designado

para vivificar a palavra de novo?

Para colhê-la de cima das águas

e oferecê-la outra vez

aos homens do continente?

E, não foi ele apontado

para restituir-lhe a sua essência

e reconstituir seu conteúdo mágico?

Acaso o poeta não prevê a comunhão das línguas,

quando o homem reconquistar

os atributos perdidos com a Queda,

e quando se desfizerem as nações

instaladas ao depois de Babel?

 

Quando toda a confusão for desfeita,

o poeta não falará, do ponto em que se encontrar,

a todos os homens da terra, numa só língua

– a linguagem do Espírito?

Se por acaso viveis mergulhados

no momento e no limite,

não me compreendereis, irmão!

(Jorge de Lima)

DL 133. Assinale a alternativa em que um verso do poema é reescrito com outras palavras, sem que se alterem a correção e sentido do texto.

(A) “as palavras se mumificaram na boca dos legisladores” = os discursos se enclausuraram no íntimo dos executores.

(B) “as palavras apodreceram nas promessas dos tiranos” = o léxico se decompôs nas ilações dos déspotas.

(C) “E o Verbo de Deus é uno” = E a Divina Palavra não se dispersa.

(D) “E por acaso, a palavra imortal há de adoecer?” = Subitamente, o vocábulo eterno adoeceu?

(E) “o poeta não foi designado para vivificar a palavra de novo?” = o escritor não foi impelido a coadunar o léxico sempre?”

DL 134. Com base nas ideias que norteiam o poema de Jorge de Lima, bem como levando em consideração as características da obra desse escritor, é possível inferir do texto que

(A) as palavras surgem e ressurgem com o passar do tempo, ainda que o trabalho dos homens não concorra para esse fim.

(B) as palavras não adoecem nem somem, uma vez que há sempre uma atmosfera poética capaz de trazê-las de volta.

(C) o universo poético no qual as palavras em sua totalidade se inserem é fator preponderante para o seu ressurgimento, ainda que todo indique o contrário.

(D) àqueles que não morrerem junto com as palavras, não é concedida a possibilidade de entendê-las em sua plenitude.

(E) ao verdadeiro reconhecimento do sentido da palavra que é imortal corresponde uma atmosfera de cunho transcendente, de natureza atemporal e ilimitada.

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