Como dominar a ansiedade nos concursos

Observa-se que diante de processos seletivos, a maior dificuldade encontrada pelos alunos que se preparam para concorrer às vagas não está relacionada ao domínio do conteúdo científico, mas à má administração das emoções. Dosar a ansiedade, de fato, é o grande desafio dos concurseiros (ou concursistas, conforme alguns registros oficiais). Para isso, a Psicologia dispõe de técnicas específicas de relaxamento e respiração, que contribuem significativamente para aplacar os desmandos emotivos.

A ansiedade é a grande vilã do equilíbrio emocional. No entanto, poucos conseguem descrever esse sentimento, distingui-lo dentre outros e até fazer diferenciação entre pensamentos e sentimentos. Sintomas como nervosismo, agitação, impaciência, apreensão e outros são, geralmente, atribuídos à esfera emotiva. O fato é que a ansiedade tem a mesma base fisiológica do medo e, por conseguinte, desencadeia sintomas de “luta-fuga” – o emocional entra em ação, enquanto o físico, muitas vezes, não sofre alterações. Nesse sentido, as mudanças acontecem interiormente e promovem sentimentos quase sempre não frutuosos.

A insegurança com relação a fatos futuros é o gatilho que dispara a ansiedade. Portanto, é bom atentar para a paciência, ressaltada, por exemplo, pelo artista pernambucano Lenine em sua canção homônima: “Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora e vou na valsa”. Essa recusa pelo ritmo frenético da ansiedade é a base do controle cognitivo. Dessa forma, a ansiedade, assim como todas as demais emoções, quando experimentada de forma equilibrada, revela-se fundamental para a existência.

Algumas técnicas utilizadas em psicoterapia favorecem o controle desses impulsos de ânsia. Entre outras, destaca-se a respiração diafragmática e o relaxamento muscular de Jacobson. O treino respiratório pode ser feito, inclusive, durante o momento da prova: inspirar profundamente o ar pela narina, encher o diafragma e expirar levemente pela boca. É importante que essa sequência respiratória seja repetida, por dez vezes, o que proporcionará reoxigenação cerebral, minimização dos batimentos cardíacos acelerados e melhor organização dos pensamentos.

A ansiedade, devido ao seu movimento “luta-fuga”, causa muita tensão e somatizações. Por essa razão, o relaxamento muscular é importantíssimo para que o desempenho ocorra de forma funcional. Sugere-se que essa técnica seja feita uma vez por dia na semana que antecede a prova, ou diante de picos de ansiedade. Trata-se de uma técnica de contração e relaxamento muscular, a ser feita no momento em que o aluno estiver deitado, com a coluna ereta. Assim, ele vai contrair e relaxar os músculos do pé, depois da perna, depois da região pélvica, diafragma, etc.

É fundamental que o candidato a uma vaga oferecida por meio de concurso público se aproprie do seu respectivo edital com segurança e  chegue ao dia da prova sem travas, sem medos e desprovido de registros negativos anteriores. Assim como a insegurança em relação ao futuro dispara o gatilho da ansiedade, os fatos traumáticos do passado irão desencadear medos reprimidos e ansiedades devastadoras. Como disse o cantor e compositor Belchior, “Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que mais dói”. Portanto, dominar a ansiedade é sinônimo de ater-se ao presente e desprender-se tanto das lembranças negativas de outrora, quanto da inútil tentativa de prever o futuro. Afinal, o momento mais importante a ser vivido é sempre o hoje.

Evening Lopes – Neuropsicóloga CRP 15.3038

2 thoughts on “Como dominar a ansiedade nos concursos

  1. Patricia Daniela Ribeiro da Silva disse:

    Foi ótimo ler seu texto Evening, veio em um momento de extrema tensão pré-concurso,vou procurar seguir as dicas de respiração e relaxamento muscular. Parabéns pelo trabalho.

    Att.
    Daniela

  2. Shirley Ventura disse:

    Valeu pela dica!!!! Gostei. Vou atendo-me ao presente e desprender-me das lembranças negativas do meu passado.

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  • Evening Lopes
    Psicóloga clínica de linha cognitivo-comportamental e terapeuta sexual (pós-graduanda em Neuropsicologia e em Dependência química).
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