Violência emocional também mata!

De modo geral, a violência tem atormentado a humanidade. O que antes se definia como episódios isolados de “agressões de rua”, hoje, com muita frequência, invade, como “ira humana”, instituições de trabalho, ambientes de ensino, casas de proteção às crianças, aos adolescentes e aos idosos. Nesse contexto, homossexuais são mortos, a proteção domiciliar é violada e, o mais avassalador: corações são violentados.

O que está por trás dos atos de violência explícitos nas manchetes de jornais? O que grita a alma desses agressores? Não é muito difícil perceber que, antes das barbáries cometidas por esses violentadores, há marcas deixadas no caminho, muitas vezes negligenciadas, pelos que as percebem: pichações nas paredes, riscos nas cadeiras, recados aos colegas, registros nos cadernos, discussões em público, humilhações morais, enfim, ao seu modo, clamam por “socorro”. Teria sido esse o caso do atirador da escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro? Alguns pesquisadores concluíram, a partir dos escritos deixados por Wellington Menezes, que ele sofria bullying. Quantas ameaças veladas são ignoradas em tantos outros casos?!

A violência emocional dói. Por conseguinte, a resposta agressiva ao mundo é, muitas vezes, uma tentativa imatura de chamar a atenção do outro para a dor, insatisfação ou injúria vividas. Em termos gerais, por trás dos atos de violência, escondem-se “egos feridos”, entes que interpretam situações de forma hostil e, de algum modo, têm sua autoimportância afrontada. Assim, assujeitam-se à agressividade mal gerenciada.

Na ausência de um treino de assertividade, com acompanhamento profissional, é comum que esses indivíduos experimentem eclosões violentas de raiva em seu interior, como pequenas doses de um veneno capaz de matar aos poucos. Nessas situações, é importante respirar profunda e lentamente (reoxigenar a região cerebral) e tentar aplacar o comportamento agressivo em seu início, pois as consequências do percurso psicofisiológico da ira disfuncional podem ser infelizes e irreversíveis.

Vale ressaltar que a raiva faz parte do arcabouço de sentimentos primários do ser humano. Historicamente, fez-se presente e auxiliou o homem na luta pela preservação da espécie. No entanto, a má administração dessa emoção, sem dúvida, traz incontáveis prejuízos à vida familiar, social, profissional e física desse indivíduo. Por um lado, há os que expressam a raiva de forma externa (anger out) e destroem objetos, machucam pessoas, agridem verbalmente e fisicamente. Em outra esfera, estão aqueles que expressam sua raiva para dentro (anger in) e geralmente adoecem, somatizam dores musculares, gastrites, refluxos, bruxismos etc.

 Atualmente, muito se tem estudado sobre as explosões de ira que desencadeiam “ataques” de impulsividade e violência. Aproximadamente, 6% da população sofre do chamado Transtorno Explosivo Intermitente (DSM-IV 312.34), caracterizado, sobretudo, pelo fracasso em resistir a impulsos agressivos e por expressar agressividade de forma nitidamente despropor-cional a qualquer elemento desencadeante de estresse. Pelo fato de a raiva fazer parte das emoções primárias, esse transtorno é, na maioria das vezes, negligenciado por grande parte da população.

Fica claro, então, que o impulso para a agressividade é tão antigo quanto o próprio “animal humano”. Todavia, o que fundamenta essa ação violenta contemporânea é, de fato, a deturpação emotiva, dilaceradora da existência. Dessa maneira, as formas de expressão de violência se transfiguram através de diferentes roupagens que, muitas vezes, transcendem a agressão física e atingem, de modo letal, os sentimentos.

3 thoughts on “Violência emocional também mata!

  1. Ana Patrícia disse:

    Ter relações sexuais e não sentir prazer, isso pode ser devido a algum trauma ou varia de pessoas.

    • edusampaio disse:

      Oi, Ana Patrícia! Toda relação, seja ela afetiva, sexual ou de amizade, envolve prazer. Assim, quando existe apatia, existe a indicação de que algo não é funcional, não está bem. Pode ser decorrente de um trauma? Sim. Como também pode ser indicativo de outras dificuldades emocionais. Seria interessante procurar uma avaliação profissional e expor em detalhes seu caso. Um abraço!

  2. FB disse:

    Eu tinha alguns sonhos: conhecer o homem da minha vida, me apaixonar, casar, ter filhos e vivermos felizes para sempre. Mas algo deu errado no meio do caminho. E hoje eu vejo que, de tudo o que aconteceu, posso tirar grandes aprendizados. (…) Creio que, talvez apareceram pessoas “erradas” na minha vida para que eu aprendesse com elas de forma que, quando aparecer a pessoa “certa” eu possa finalmente saber exatamente como agir e fazer com que aconteça tudo bem. Eu chamo isso de evolução.
    Pouco adianta passar a vida chorando pitangas por uma coisa ruim que aconteceu conosco e nada fazer para mudar. O bom mesmo é abrir os olhos, pegar os limões com os quais a vida azedou nossa história e fazer uma boa limonada!

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  • Evening Lopes
    Psicóloga clínica de linha cognitivo-comportamental e terapeuta sexual (pós-graduanda em Neuropsicologia e em Dependência química).
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