Escolhas

 Selecionar, escolher, optar. Esses verbos indicam ações presentes na vida humana desde o seu princípio. Já na concepção, o corpo produz mecanismos capazes de privilegiar, normalmente, um entre tantos espermatozoides que poderiam resplandecer em formosura humana. Nesse sentido, cada ser vivente revela-se um escolhido nato – particularidade da criação.

A despeito da prima origem, comum a todos, nem sempre são trilhados os mesmos caminhos; raramente veem-se os mesmos horizontes: e é bom que assim seja. Há, de fato, riqueza na diversidade de pensamentos e ideologias, na capacidade de avaliar o mundo por prismas diferenciados; no entanto, é preciso perceber até que ponto o diferente possibilita a melhor história para a existência.

Desde a infância, o homem é “socialmente convidado” a decidir que estilo de roupa vestir ou que tipo de penteado adotar; que amizades construir ou de que pessoas se afastar. Na adolescência, período geralmente conturbado e repleto de conflitos interiores, ganham força as incidências das paixões – para muitos, inclusive, as primeiras experiências sexuais e, com elas, consequências nem sempre frutuosas.

A juventude exige de cada um escolhas ainda mais decisivas: cursos, faculdades, profissões, ideologias, opiniões. Isso para aqueles que têm a oportunidade de fazê-las. Sim, infelizmente, nem todos gozam desse privilégio. Dessa maneira, se é possível escolher, optar por algo na vida, por mais tenso ou inoportuno que isso pareça ser, é necessário alegrar-se! Essa possibilidade implica liberdade. Em nações onde imperam ditaduras (civis ou militares), o cerceamento das opções cotidianas revela-se altamente nocivo à dignidade humana.

É, porém, na idade adulta que se toma consciência daquilo que foi produzido até então. Nesse período, é comum perceber, paulatinamente, que o homem é ele e a sua história – nunca um fim em si mesmo –, que o caminho percorrido também se constitui pelas pegadas que ficaram para trás. Passa-se, então, a ter que amar aquilo que se edifica, sob pena de mergulhar no mar das decepções. Mais que isso, chega uma hora em que é crucial querer gostar do que se faz. Importante escritor da literatura católica, o médico e padre maranhense João Mohana defendia uma tese bastante interessante: “Não basta amar, é preciso querer amar”. Assim também não basta se afeiçoar aos resultados das escolhas feitas durante a vida, é necessário desejar assumi-los.

A todo instante, a realidade se mostra dicotômica e, ao mesmo tempo, convida a refletir e decidir que rumo tomar. Dignidade ou ingratidão, verdades ou inverdades, presença ou solidão, fé ou ceticismo, ações emotivas ou ancoradas pela razão, são possibilidades presentes nesse grande leque que a vida oferta. Vale lembrar que qualquer escolha deve se basear em princípios morais e éticos, sob pena de ser condenada pela consciência da coletividade moderna.

Em muitas situações, não é fácil decidir; a incerteza do futuro em aberto gera instabilidade comportamental e falha categórica nas escolhas. Por outro lado, a própria vida permite o recomeço, concedendo sempre uma nova chance. Poder reencontrar o norte é, portanto, fator essencialmente importante na busca da felicidade e da autorrealização.

Eduardo Sampaio (que escolheu ser professor).

3 thoughts on “Escolhas

  1. sueli disse:

    Quando terminei o ensino médio, tive que trabalhar, no comércio(nada contra quem escolheu essa vida pra si),na época não foi escolha foi precisão. Por conta do horário, não deu pra conciliar as duas coisas, hoje onde estou, mesmo com os horários contra mim, estou tentando e vou conseguir COM FÉ EM DEUS porque fiz minha escolha: quero ser psicóloga! Sei, a escolha veio com atraso, mas nada vai fazer eu mudar de ideia, porque não foi pelos outros, foi por mim. Sei o que quero, e quando uma escolha vem de coração, ninguém tira isso da gente!

  2. Valéria de Albuquerque Rodrigues disse:

    Como é bom ler um texto com alto grau de clareza e objetividade diante de um assunto aparentemente complexo, pela própria condição da diversidade de escolha. No livro “Comunicação docente” de Moacir Gadotti, há várias partes que nos levam a pensar sobre o assunto e percebe-se que muitas das nossas escolhas estão ligadas a nossa linguagem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais de "Textos do Autor"
Veja mais uma dissertação modelo, a partir de um tema de concurso público.
O Natal não é o aniversário de Jesus: é o memorial do amor de Deus pelos homens!
A dificuldade das escolhas não pode impedir que elas se concretizem.
Como política e carnaval formam um par "perfeito" em Alagoas...
Garanta sua vaga!

Insira abaixo suas informaçães para efetuar o pré-cadastro neste curso.

 
Desafio Linguístico
Newsletter
Cadastre-se e receba novidades em seu e-mail.
82 8816.3133 | 82 9912.0630
made in zeropixel