Introdução à Literatura

 A gênese da  Literatura?

Por certo,  a literatura está ligada à escrita. Desta feita, sua origem se perde na noite dos tempos. Não há um único marco histórico do surgimento da escrita, já que os desenhos das cavernas são considerados escritos antigos. O hieróglifo é uma escrita do antigo Egito.

Desde que apareceu o ser humano, ele teve vontade de deixar resquícios de sua passagem pelo mundo. O homem sempre quis deixar sua marca para a posteridade, como é que ele fazia para caçar, mostrar seus feitos, seu heroísmo, sua força, dinamismo, coragem. Também quis mostrar como era o seu povo, os animais, o meio ambiente da época. Já se estava a definir o que é literatura.

Os livros demoraram muito para aparecer, daí os textos literários também demorarem muito para surgir. A evolução do livro foi muito lenta, o que retardou o desenvolvimento humano, uma vez que o livro, de certa forma, também apressa a evolução.

O livro mais antigo é o “livro dos mortos” do antigo Egito que data de 1800 a. C. Nesse livro, há fórmulas que os antigos mortos deveriam levar quando da passagem para o outro mundo.

Na China, a produção escrita aconteceu bem mais tarde. Eles usavam tábuas de madeira, escritas da esquerda para a direita e de cima para baixo. Mais tarde, passaram a escrever em seda e, no princípio do século II da era cristã, os chineses inventaram o papel.

Um outro modelo antigo era o uso de pergaminhos. Trata-se da retirada do couro do carneiro que, depois de trabalhado, tornava-se um papel de qualidade, à época, louvável. Esse tipo de material ainda é usado hoje em diplomas de cursos superiores.

O livro evoluiu muito na Idade Média; tudo era transmitido através deles. Gutemberg inventou a imprensa e imprimiu a primeira bíblia. Com isso, o processo de formação do livro atual estava pronto.

Prosa e Poesia

 

Os textos literários dividem-se em duas partes: prosa e poesia. Qual a diferença? O que nasceu primeiro?

A poesia é a linguagem subjetiva, metafísica, vaga com o mundo interior do poeta. É um texto curto com orações e períodos curtos, nos quais sobressai a beleza, a harmonia e o ritmo. Há quem entenda poesia como a parte “espiritual” do poema; ela representa, em muitos casos, a reação interior do leitor (ouvinte, observador) diante da texto lido, do conjunto de sons ouvido, da obra de arte apreciada.

Com o surgimento do livro em placas de argila, começaram também as primeiras aulas. Tudo teria que ser decorado, pois não havia material onde escrever tudo e a toda hora. Nas casas-escolas, os alunos decoravam os poemas com os conhecimentos, números, gramática, filosofia etc.

Com os livros de argila e o uso de poemas, muita coisa poderia ser transmitida com pouco material. Esses livros ficavam nas bibliotecas, já que não se poderia carregar um livro de dez quilos pra lá e pra cá.

Prosa é a linguagem objetiva, usual, veículo natural do pensamento humano. A prosa pode ser escrita de diversas formas: romances, crítica, novela, conto etc. Atente para as diferenças entre um texto em forma de poesia e outro em forma de prosa:

POEMA: 

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?… Negócio.
Quem causa tal perdição?… Ambição.
E no meio desta loucura?… Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

(…)

(fragmento do poema Epigrama, do poeta barroco Gregório de Mattos Guerra – 1633/1696)

 

PROSA:

Pero Vaz de Caminha tornou-se figura importante no descobrimento do Brasil por haver escrito uma carta ao rei D. Manuel relatando os acontecimentos ocorridos com a expedição desde a partida da Europa até o dia 1o de maio de l500.

Temos muitas diferenças entre estes dois textos:

No primeiro temos:

1.Frases curtas;
2.Destaque para a beleza dos versos;
3.Uso de rimas: Porta x importa, minha x vizinha;
4.Uso de métrica – contagem de sílabas poéticas;
5.Texto escrito em forma de versos.

No segundo temos:

1.Frases longas, num só período;
2.Não há beleza no texto, somente a informação;
3.Texto objetivo: transmitir uma mensagem;
4.Não há métrica, nem rima, nem ritmo;
5.Texto escrito em forma de parágrafos.

Porque estudar Literatura:

 

A literatura é a continuação da língua. É a língua aperfeiçoada, instrumento de beleza. Quando vamos ao cinema, vamos nos divertir, relaxar, passar momentos de lazer e adquirir um mínimo de conhecimentos também. O mesmo acontece com a literatura, mas ela é bem mais do que isso. O que seria da história sem a literatura? E o seu filme preferido? E a sua novela? E o seu teatro? Esses trabalhos precisam primeiramente ser escritos e só depois transformados em outro tipo de arte.

Se não fosse a literatura, talvez fôssemos hoje todos ateus. Graças à Bíblia, que é um conjunto de obras literárias, hoje temos uma fé. Sem a literatura, desconheceríamos a existência das cidades de Nínive, Babilônia,Troia e outras. Vários textos literários falam de um continente chamado Atlântida. Um dia a Arqueologia pode redescobri-lo. A Bíblia nos fala de duas cidades: Sodoma e Gomorra que ainda não foram encontradas.

Como é que sabemos dos usos e costumes dos povos antigos? Só através da literatura.

O que é Literatura?

 

Há várias definições para literatura:

a) É o conjunto de obras escritas de um povo com preocupações estéticas;
b) É saber usar a língua artisticamente, deixando transparecer a beleza, a harmonia e o estilo próprio de cada autor;
c) Escrever um texto artisticamente e com beleza.

A Literatura procura mostrar o valor de um povo, seu sofrimento, seus anseios, alegrias, a descrição do país, suas lendas, crendices, tradições…

O que pensariam as pessoas do ano 3 mil sobre o mundo de hoje? Como é que eles imaginariam nossa existência? Comíamos o quê? Falávamos como? Andávamos nus? Havia assassinatos, roubos, suicídios, estupros? Éramos amáveis com nossos irmãos? A literatura que fizermos hoje, mostrará a eles a nossa realidade.

Todos os países possuem e possuíram uma literatura. Assim temos a literatura grega, a latina, a italiana, a brasileira…

Quem, por exemplo, já não ouviu falar em Romeu e Julieta, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Édipo Rei, Os Três Mosqueteiros? Não teríamos nada disso se não fosse a literatura.

Linguagem literária e Linguagem não-literária:

 

A linguagem literária é bela, emotiva, sentimental; geralmente, traz figuras de linguagem, como a metáfora, a metonímia, a inversão etc. Apresenta o fantástico que precisa ser descoberto através de uma leitura atenta.

A linguagem não-literária é própria para a transmissão do conhecimento, da informação, no âmbito das necessidades da comunicação social. É a língua na sua função pragmática, empregada pela ciência, pela técnica, pelo jornalismo, pela conversação entre os falantes.

Podemos estabelecer o seguinte confronto entre as duas formas:

Linguagem literária                        Linguagem não-literária

intralinguística                                                   extralinguística
ambígua                                                                 clara – exata
conotação                                                             denotação
sugestão                                                                 precisão
transfiguração da realidade                           realidade
subjetiva                                                                objetiva
ordem inversa                                                     ordem direta

Gêneros Literários

 

O estudo dos gêneros literários preocupa-se em agrupar as diversas modalidades de expressão literária pelas suas características de forma e conteúdo. Cada gênero pressupõe uma técnica, um estilo, um modo de ser do artista. A classificação básica dos gêneros compreende: o lírico, o épico e o dramático.

a) Gênero Lírico – Na Grécia Antiga, a poesia era declamada ao som da lira, daí a origem da palavra lírico. Pela tradição literária, esse instrumento passou a simbolizar a poesia.

No gênero lírico predomina o sentimento, a emoção, a subjetividade, a expressão do “eu“. É a manifestação do mundo interior através de uma visão pessoal do mundo.

O tema lírico por excelência é o amor, os demais lhe são, de certa forma, correlatos: a solidão, a angústia, a saudade, a tristeza. A linguagem lírica prima pela elaboração artística, mostra-se densamente metafórica, explora a sonoridade e o arranjo das palavras.

O lirismo identifica-se com a própria poesia, mas pode ocorrer num romance, num filme, num quadro e em outras formas de arte.

b) Gênero Dramático – A palavra drama, em grego, significa ação. O gênero dramático abrange os textos em forma de diálogo destinados à encenação.

Os fatos não são narrados como num romance, uma vez que os autores assumem papel das personagens diante de um público que assim é envolvido com os acontecimentos.

Uma peça é uma obra literária enquanto texto destinado à leitura. Por outro lado, enquanto espetáculo teatral depende dos meios técnicos empregados na apresentação: imposição de voz, maquilagem, cenário, figurino, iluminação.

c) Gênero épico ou Narrativo – Ao gênero narrativo pertencem aqueles textos em que alguém narra uma história, procurando retratar o mundo exterior.

Na antiguidade, a forma narrativa consagrada era a épica, em que se faziam relatos de versos sobre as origens das nacionalidades, os acontecimentos históricos que mudaram o curso da humanidade. Os heróis épicos eram personagens históricas ou semideuses que se destacaram por excepcionais façanhas. Cumpre ressaltar as mais célebres epopéias: a Ilíada e a Odisseia, de Homero; a Eneida, de Vergílio; Os Lusíadas, de Camões.

As formas narrativas modernas resultam da evolução do gênero épico. São elas: o romance, o conto, a novela e a crônica. O romance e a novela apresentam uma estrutura de múltiplos conflitos, em que se caracteriza a pluralidade de ações. Em contrapartida, o conto gira em torno de um único conflito, decorre disso a unidade de ações. A crônica, nascida das colunas dos jornais, exploram fatos da atualidade.

Evolução das estéticas ou escolas literárias (Portugal/Brasil)

 

Trovadorismo (1189-98/1418)

Humanismo (1418-1857)

Classicismo (1524-1580) Quinhetismo (1500-1600)

a)Literatura Catequista
b)Literatura Informativa

Barroco (1601-1768)

Arcadismo  (1786-1836)

Romantismo (1836-1881)

Realismo (1881-1893)

Naturalismo-Parnasianismo

Simbolismo (1893-1902)

Pré-Modernismo (1902-1922)

Modernismo (1922 até momento)

 

 

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