Fonética e Fonologia

fonética estuda os sons como entidades físico-articulatórias isoladas (aparelho fonador). Cabe a ela descrever os sons da linguagem e analisar suas particularidades acústicas e perceptivas. Ela se fundamenta em estudar os sons da voz humana, ao examinar suas propriedades físicas independentemente do seu “papel linguístico de construir as formas da língua”. Sua unidade mínima de estudo é o som da fala, ou seja, o fone.

À fonologia  cabe estudar as diferenças fônicas intencionais, distintivas, isto é, que se unem a diferenças de significação. Além disso, ela estabelece a relação entre os elementos de diferenciação e quais as condições em que se combinam uns com os outros para formar morfemas, palavras e frases. Sua unidade mínima de estudo é o som da língua, ou seja, o fonema.

A Fonética se diferencia da Fonologia por considerar os sons independentes das oposições paradigmáticas e combinações sintagmáticas. Observe no esquema:

1. Oposições paradigmáticas: aquelas cuja presença ou ausência implica mudança de sentido. Exs.:

/p/ata           /b/ata          /m/ata
Oclusiva         Oclusiva        Oclusiva
Bilabial         Bilabial        Bilabial
Surda            Sonora          Surda
Oral             Oral            Nasal

2. Combinações Sintagmáticas: arranjos e disposições lineares no contínuo sonoro.

Troca na posição dos fonemas entre si. Exs.:

Roma, amor, mora, ramo

A Fonética e a Fonologia são duas disciplinas interdependentes, uma vez que, para qualquer estudo de natureza fonológica, é imprescindível partir do conteúdo fonético, articulatório e/ou acústico, para determinar as unidades distintivas de cada língua.

Segundo Ferdinand de Saussure (considerado por muitos o pai da Linguística moderna), “a fonética é uma ciência histórica, que analisa acontecimentos, transformações e se move no tempo”. Já a fonologia se coloca fora do tempo, pois o mecanismo da articulação permanece estável de acordo com a estrutura da língua em questão.

Diferentemente da escrita, que conta com vogais e consoantes, a Fonética se ocupa dos fonemas (= sons); são eles as vogais, as consoantes e as semivogais.

Vogal = São as cinco já conhecidas – a, e, i, o, u – quando funcionam como base de uma sílaba. Em cada sílaba, há apenas uma vogal. NUNCA HAVERÁ MAIS DO QUE UMA VOGAL EM UMA MESMA SÍLABA.

Consoante = Qualquer letra – ou conjunto de letras representando apenas um som – que só possa ser soada com o auxílio de uma vogal (com + soante = soa com…). Na fonética são consoantes b, d, f, g (ga, go, gu), j (ge, gi, j) k (c ou qu), l, m (antes de vogal), n (antes de vogal), p, r, s (s, c, ç, ss, sc, sç, xc), t, v, x (inclusive ch), z (s, z), nh, lh, rr.

Semivogal = São as letras e, i, o e u quando formarem sílaba com uma vogal, antes ou depois dela, e as letras m e n, nos grupos AM, EM e EN, em final de palavra – somente em final de palavra.

Quando a semivogal possuir som de i, será representada foneticamente pela letra Y; com som de u, pela letra W.

Então teremos, por exemplo, na palavra caixeiro, que se separa silabicamente cai-xei-ro, o seguinte: 3 vogais = a, e, o; 3 consoantes = k (c), x, r; 2 semivogais = y (i, i). Representando a palavra foneticamente, ficaremos com kayxeyro.

Na palavra artilheiro, ar-ti-lhei-ro, o seguinte: 4 vogais = a, i, e, o; 4 consoantes = r, t, lh, r; 1 semivogal = y (i). Foneticamente = artiĹeyro.

Na palavra viagem, vi-a-gem, 3 vogais = i, a, e; 2 consoantes = v, g; 1 semivogal = y (m). viajẽy.

M / N – As letras M e N devem ser analisadas com muito cuidado. Elas podem ser: Consoantes: Quando estiverem no início da sílaba.  Semivogais: Quando formarem os grupos AM, EM e EN, em final de palavra – somente em final de palavra – representadas foneticamente por Y ou W. Ressoo Nasal: Quando estiverem após vogal, na mesma sílaba que ela, excetuando os três grupos acima; indica que o M e o N não são pronunciados, apenas tornam a vogal nasal, portanto haverá duas letras (a vogal + M ou N) com um fonema só (a vogal nasal).

Por exemplo, na palavra manchem, terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo manchar, teremos o seguinte: man-chem, 2 vogais = a, e; 2 consoantes = o 1º m, x(ch); 1 semivogal =
y (o 2º m); 1 ressoo nasal = an (ã). mãxẽy.

Encontro Vocálico: É o agrupamento de vogais e semivogais. Há três tipos de encontros vocálicos:

Hiato = É o agrupamento de duas vogais, cada uma em uma sílaba diferente.

Lu-a-na, a-fi-a-do, pi-a-da

Ditongo = É o agrupamento de uma vogal e uma semivogal, em uma mesma sílaba. Quando a vogal estiver antes da semivogal, chamaremos de Ditongo Decrescente, e, quando a vogal estiver depois da semivogal, de Ditongo Crescente. Chamaremos ainda de oral e nasal, conforme ocorrer a saída do ar pelas narinas ou pela boca.

Cai-xa = Ditongo decrescente oral.

Cin-quen-ta = Ditongo crescente nasal, com a ocorrência do Ressoo Nasal.

Tritongo = É o agrupamento de uma vogal e duas semivogais. Também pode ser oral ou nasal.

A-guei = Tritongo oral.
Á-guem = Tritongo nasal, com a ocorrência da semivogal m.

Além desse três, há dois outros encontros vocálicos importantes:

Iode = É o agrupamento de uma semivogal entre duas vogais. São aia, eia, oia, uia, aie, eie, oie, uie, aio, eio, oio, uio, uiu, em qualquer lugar da palavra  -começo, meio ou fim. Foneticamente, ocorre duplo ditongo ou tritongo + ditongo, conforme o número de semivogais. A Iode será representada com
duplo Y: ay-ya, ey-ya, representando o “y” um fonema apenas, e não dois como possa parecer.

A palavra vaia, então, tem quatro letras (v – a – i – a) e quatro fonemas (v – a – y – a), sendo que o “y” pertence a duas sílabas, não havendo, no entanto, “silêncio” entre as duas no momento de pronunciar a palavra.

Vau = O mesmo que a Iode, porém com a semivogal W.

Pi-au-í = Vau, com a representação fonética Pi-aw-wi. Com o “w” ocorre o mesmo que ocorreu com o “y”, ou seja, representa um fonema apenas.

Ocorrem, também, na Língua Portuguesa, encontros vocálicos que ora são pronunciados como ditongo, ora como hiato. São eles:

Sinérese = São os agrupamentos ae, ao, ea, ee, eo, ia, ie, io, oa, oe, ua, ue, uo, uu. Ca-e-ta-no, Cae-ta-no; ge-a-da, gea-da; com-pre-en-der, com-preen-der; Na-tá-li-a, Na-tá-lia; du-e-lo, due-lo; du-un-vi-ra-to, duun-vi-ra-to.

Diérese = São os agrupamentos ai, au, ei, eu, iu, oi, ui. re-in-te-grar, rein-te-grar; re-u-nir, reu-nir; di-u-tur-no, diu-tur-no.

Obs.: Há palavras que, mesmo contendo esses agrupamentos não sofrem sinérese ou diérese. Há que se ter bom senso, no momento de se separarem as sílabas. Nas palavras rua, tia, magoa, por exemplo, é claro que só há hiato.

Encontro Consonantal: É o agrupamento de consoantes. Há três tipos de encontros consonantais:

Encontro Consonantal Puro ou Próprio = É o agrupamento de consoantes, lado a lado, na mesma sílaba. Exs.: Bra-sil, pla-ne-ta, a-dre-na-li-na

Encontro Consonantal Disjunto ou Impróprio = É o agrupamento de consoantes, lado a lado, em sílabas diferentes. Exs: ap-to, cac-to, as-pec-to

Encontro Consonantal Fonético = É a letra x com som de ks. Exs.: Maxi, nexo, axila = maksi, nekso, aksila.

Não se esqueça de que as letras M e N pós-vocálicas não são consoantes, e, sim, semivogais ou simples sinais de nasalização (ressoo nasal).

Dígrafo: é o agrupamento de duas letras com apenas um fonema. Os principais dígrafos são rr, ss, sc, sç, xc, xs, lh, nh, ch, qu, gu. Representam-se os dígrafos por letras maiores que as demais, exatamente para estabelecer a diferença entre uma letra e um dígrafo. Qu e gu só serão dígrafos, quando estiverem seguidos de e ou i, sem trema. Os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc e xs têm suas letras
separadas silabicamente; lh, nh, ch, qu, gu, não.

arroz = ar-roz – aRos;
assar = as-sar – aSar;
nascer = nas-cer – naSer;
desço = des-ço – deSo;
exceção = ex-ce-ção – eSesãw;
exsudar = ex-su-dar – eSudar;
alho = a-lho – aĹo;
banho = ba-nho – baÑo;
cacho = ca-cho – kaXo;
querida = que-ri-da – Kerida;
sangue = san-gue – sãGe.

Dígrafo Vocálico = É o outro nome que se dá ao Ressoo Nasal, pelo fato de serem duas letras com um fonema vocálico.

sangue = san-gue – sãGe

samba = sam-ba – sãba

Não confunda, portanto, dígrafo com encontro consonantal, que é o encontro de consoantes, cada uma representando um fonema.

 

3 thoughts on “Fonética e Fonologia

  1. Domingos disse:

    «NUNCA HAVERÁ MAIS DO QUE UMA VOGAL EM UMA MESMA SÍLABA.»

    English:
    Are you sure there is never more than one vowel in the same syllable? For example, in your last name we can find “Sam+pai+o”. So, the “a” and the “i” are part of the same syllable.

    I believe that when an “a”, an “e”, or an “o” is followed by an “i”, or a “u”, they are part of the same syllable, when used in that sequence.

    You could only break them up into two syllables if you place an acute accent on the second letter, which is the “i”, or the “u”.

    Português:
    Tem a certeza que não existem palavras que tenham mais que uma vogal na mesma sílaba? Como exemplo, no seu apelido pode encontrar «Sam+pai+o». Portanto, o «a» e o «i» fazem parte da mesma sílaba.

    Eu creio que quando um «a», um «e», ou um «o» é seguido por um «i», ou um «u», as duas letras em questão, se usadas nessa sequência, fazem parte da mesma sílaba.

    Só se pode quebrar esse par de letras em duas sílabas se se colocar um acento agudo na segunda letra, que terá que ser um «i», ou um «u».

  2. jose carlos de oliveira moura disse:

    Não entendo por que fonema é a unidade mínima sonora da fala. Acho esse conceito sobre fonemas um pouco estranho,seria o caso de dizer que Fonema é a unidade sonora da lingua ou da fala. Ou poderíamos dizer que Fonema é som ou os diversos sons emitido ou emitidos por uma letra no contexto.

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