Brasil aBoBalhado novamente!

Boas Festas! Essa ainda parece ser a saudação mais tradicional quando o crepúsculo de cada ano começa a se configurar. No imaginário popular, o natal e o réveillon representam os protagonistas de um momento do ano regido pelas trocas de presentes e banhado pelas douradas taças de espumantes. Para muita gente, as festas comemoradas na passagem de cada ano resumem-se a esses dois eventos. Paradoxal! Um povo que se diz tão festeiro e estufa o peito declarando-se o maior país católico do mundo nem de longe parece reconhecer as cinco (isso mesmo), cinco verdadeiras boas festas. Alheia a essa questão, todavia, encontra-se uma nova, já numerosa e assustadoramente crescente parcela populacional, que, há anos, vem elegendo o início do mais conhecido reality show da televisão brasileira como sua grande realização festiva.

Assim como acontece em outras épocas do ano, o comércio parece determinar os dias 25 de dezembro e 1º de janeiro como datas marcantes e que, portanto, devem ser celebradas com trocas de presentes, comida e bebida à vontade. Para os que dispõem de maiores recursos financeiros, os atraentes pacotes de viagem apresentam-se como pedidas insubstituíveis. Nesse período, centros comerciais, aeroportos e rodoviárias de todo o país comumente enfrentam superlotação; o sentido próprio das festividades, no entanto, toma posição altamente periférica.

Na verdade, as duas datas citadas fazem parte de um conjunto de celebrações de cunho religioso, que inicia com o Natal e tem sequência no primeiro domingo após o 25 de dezembro, quando se celebra a festa da Sagrada Família; no dia 1º de janeiro – dia internacional da paz –, a solenidade é dedicada à Santa Mãe de Deus; no domingo seguinte, comemora-se a solenidade da Epifania do Senhor, – conhecida, em muitos lugares do país, como festa de Reis – a celebração mais importante dessa época para os cristãos do Oriente; por fim, no domingo subsequente, tem-se a celebração do Batismo do Senhor, com a qual se encerra o chamado Tempo do Natal.

Infelizmente, o significado desse conjunto festivo fica cada dia mais distante do conhecimento do povo. Com a lacuna deixada por esse esvaziamento de sentido, ganham força atrações que retratam a vida denotativa, destituída de poesia e desbotada, antes mesmo de se vencerem os “prazos de validade” de suas cores mortas. Veja-se, por exemplo, a versão brasileira do repetitivo Big Brother, o programa de vigilância de comportamento produzido pela principal rede televisiva do país, tão aguardado no despontar de cada novo ano. Como dificilmente algo é, em sua totalidade, desprezível, também o BBB tem lá seus atrativos. Afinal, há os que são fascinados pela análise do comportamento humano em situações de conflito. Existe, ainda, quem se interesse pelos desafios assumidos ou pelas “estratégias” armadas no desenrolar de um suposto jogo presente ali.

Para os adeptos de novelas com péssimo enredo, do picadeiro com palhaços, porém sem arte, ou da vida escancarada e sem pudores, o reality show global é um prato cheio! Com participantes escolhidos estrategicamente pelos diretores, que procuram vender suas “peças” à eclética e vultosa plateia desocupada em horário nobre, o programa consagra-se, a cada edição, como um caça níqueis de primeira grandeza para a emissora. Embora a audiência caia a cada ano, não há um declínio equivalente nas arrecadações. Só em 2011, a “atração” deixou quase R$ 500 milhões para os cofres da emissora. Veja os gráficos a seguir:

Demonstração dos pontos de audiência a cada edição.

Valor arrecadado nas edições anteriores.

O pior é que, como uma implacável peste de cupins e ararás, esse tipo de programa, recriminado em várias partes do mundo, alastra-se pelo seio das famílias brasileiras, alcançando impressionantes índices de audiência. Milhões de iludidos pela magia do marketing televisivo, deixam, amiúde, suas contribuições por SMS ou ligações tarifadas. É preciso, pois, encontrar meios de fazer os telespectadores compreenderem que, nessa “festa”, só seus mentores lucram e sorriem no final! Fica a proposta de troca de horário entre o Big Brother e o Globo Ciência! Sim, as aventuras dos “heróis” do Pedro Bial passariam a ser transmitidas às 5h da matina, já o programa educativo poderia ser visto em horário nobre. Eles aceitariam?!

Prof. Eduardo Sampaio

15 thoughts on “Brasil aBoBalhado novamente!

  1. Alaí Brito disse:

    Excelente texto, Eduardo!

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