“BULLYING”: o nome é novo; o problema, antigo!


Violência psicólogica não só contra crianças

Bullying é um termo derivado da língua inglesa “bully”, que se refere aos valentões. É o uso do poder ou da força (física/psicológica) intencional e repetida para intimidar, oprimir ou humilhar pessoas  que não conseguem agir em sua própria defesa e são incapazes de movimentar outras para agir em seu favor. Atualmente é considerado um problema de ordem mundial, que pode ocorrer em todo e qualquer ambiente, sobretudo em ambientes escolares. Pesquisa revelada pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência)  afirma que 40,05% dos alunos estão diretamente envolvidos com alguma situação que envolve bullying .

As causas principais desse mal são intrínsecas e diversas, destaca-se sobretudo a evidente necessidade de satisfação pessoal de um indivíduo sobre o outro, bem como a tentativa explícita de demonstração de poder. Freud, em meios às suas teorias, já dizia que o agressor precisa sentir que exerce poder sobre os outros. Além de aspirar ao prestígio e à atenção, reflete o medo no outro de forma que ninguém tem coragem de detê -lo, muito menos de defender o agredido, devido ao temor de ser a próxima vítima.

As consequências desse ato, por sua vez, apresentam-se devastadoras à formação da personalidade humana. É importante salientar que bullying não é uma brincadeira de criança, pois ainda que pareçam frases ou atitudes engraçadas ou mesmo inofensivas podem acarretar danos terríveis a quem sofre essa ação. Entre os sentimentos negativos que acometem as vítimas, como baixa autoestima, hipervigilância, humilhação, intimidação, ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem, distúrbios psicossomáticos, pânico, entre outros fortes sintomas afetivos, destacam-se as sérias dificuldades de convívio social.

Tal problemática apresenta-se sob diversas faces: bullying verbal, físico, emocional, racial, moral, sexual, cyberbullying, etc. Esse abominável comportamento se dá, geralmente, por meio de apelidos gozadores, calúnias, beliscões, chantagens, tentativas atemorizantes, ofensas culturais, étnicas e religiosas, difamação, ridicularização de pessoas seja presencialmente ou por meio de mídias digitais.

Tanto o perfil do agressor quanto o da vítima revelam grave ausência de lastro familiar; provavelmente são personalidades oriundas de famílias disfuncionais, em que as emoções são pouco valorizadas, e a violência é tratada de forma banal (o que abre espaço para raiva, mágoa, sentimentos de rejeição e desvalorização). A agressividade contida pela frustração é, muitas vezes, cristalizada no comportamento do indivíduo, como se fosse parte de sua personalidade e exteriorizada como forma de defesa.

Muitos patrões, líderes e chefes de grupos utilizam-se da autoridade que o cargo lhes confere e acabam cometendo bullying em ambientes de trabalho, transformando o local em antro de opressão, competitividade desenfreada, humilhação e de difícil convivência. Funcionários de empreendimentos com esse perfil são induzidos a se perceberem como rivais e, desse modo, estabelecerem relações superficiais, arrogantes e não raras vezes perigosas, com intuito de destruir o outro. Esse ambiente inflamado por medo, cobrança e apreensão resulta em desempenhos notadamente prejudicados, no que tange às atividades profissionais a serem executadas.

É importante que se desenvolva compaixão pelas vítimas de bullying, oferecendo, portanto, todo o suporte necessário para que superem as dificuldades apresentadas. No que se refere ao agressor, é imprescindível que ele perceba o senso de responsabilidade de seus atos. Ademais, há necessidade de que seja submetido a ajuda profissional para que possa perceber a seriedade de suas ações e entender as questões que o levaram a agir de determinada maneira. Somente assim esse comportamento – prejudicial à sua vida e à de seus laços afetivos e familiares – poderá não se repetir.

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  • Evening Lopes
    Psicóloga clínica de linha cognitivo-comportamental e terapeuta sexual (pós-graduanda em Neuropsicologia e em Dependência química).
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