A culpa é do sistema?

Apresenta-se como fato comum atribuir os rancores e ressentimentos da humanidade de hoje a diversos fatores advindos, sobretudo, do processo de globalização da economia. Nesse sentido, a angústia inerente à espécie humana torna-se de fácil explicação: “Tudo é culpa do sistema”, costumam declarar os mais convictos dessa corrente sociológica.  No entanto, a questão não se revela de tal modo simplória; há múltiplos fatores que contribuem para a edificação de um contexto social.

O sistema político-econômico implantado com o advento do neoliberalismo, de fato, desencadeia uma assimetria significativa entre as nações do globo. A partir do instante em que surgem “superpaíses” dominadores de “povos submissos”, a parcela oprimida passa a alimentar discórdia, abrindo as portas da moral e da ética ao desabrochar de sentimentos primitivos, como ódio, aflição e amargura. O “submundo” explode em guerrilhas e revoluções sem fim, à espera de um milagre global, capaz de suprir suas carências mais urgentes.

Não se pode negar, é verdade, a desumanização estabelecida por meio das ideias do capitalismo. Todavia, conferir ao agravante político a totalidade da culpa pela falta de razão do ser social mostra-se uma saída deveras contestável. Há que se analisar o próprio comportamento humano ao longo da história para se chegar a uma compreensão mais plausível desse problema. Infelizmente, significativa parcela da população não enxerga um metro à sua frente. Por esse prisma, torna-se difícil vislumbrar transformações necessárias no âmbito social.

Da antiguidade clássica à era cibernética, o homem vem construindo sua identidade; ela não está pronta, definida; vive em constante construção. Nesse trâmite, senso racional e impulsos emotivos entram em conflitos naturais e contínuos. Saber equalizá-los é tarefa difícil, porém possível. É justamente esse equilíbrio que garante ao ente social senso crítico apurado e discernimento nos momentos de maior necessidade.

“A culpa é do sistema”, portanto, é uma frase obsoleta para os padrões contemporâneos. Inconstante, imperfeita, mas sedenta de equilíbrio. Assim se revela a humanidade no galgar dos séculos. Se é, por um lado, pressionada por fatores externos; por outro, revela sentimentos negativos intrínsecos, capazes de atormentá-la profundamente, caso não sejam extirpados com paciência e sabedoria.

                                                                                                                                                 Prof. Eduardo Sampaio

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